Junho 30, 2009
não jogue todo seu charme de uma vez pra cima de mim.
envolva-o com cuidado sobre meu corpo, aos poucos
até me deixar tonta de joelhos e queixo
caídos.
Até eu balbuciar palavras sem nexo ao seu ouvido
e me afundar inconsequente neste encontro imprevisto.
por que se não for assim,
não faz sentido.
não faz
meus sentidos
saltarem de alegria todos os dias ao despertarmos.
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Junho 12, 2009
Um vinho inacabado
Uma flor aberta
Uma vela no fim
Uma sombra na parede, silenciosa.
Dois corpos no tapete da sala.
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Junho 10, 2009
Se você disser não
AGORA
preste atenção
eu não vou dizer sim
DEPOIS.
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Junho 10, 2009
- Você sabe, né? Você tá na boca do povo.
- Jura? Mas por quê?
- Justamente porque você tá na boca do povo.
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Junho 2, 2009
Abro aquele vinho – aquele guardado há meses para uma ocasião especial. Bebo metade. É o que consigo. A outra era sua. A massa no fogo bem cuidada agoura um molho com o sabor que já não sinto. Misturo temperos, as estações, as lembranças e não chego a lugar nenhum, a não ser no quarto, junto ao lençol que ainda guarda seu cheiro.
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Junho 2, 2009
CAIA na
CAMA com
CALMA me
COMA.
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Maio 26, 2009
“precisaria de uma vida inteira para entender a minha”
Marthia Pasquale – moradora de rua de Higienópolis, que espalha pelas paredes das ruas sua poesia, filosofia, verdade e cuspe para os que passam por ali. uma vez eu passei. levei uma bofetada (de palavras nada sutis). não doeu; ardeu.
Pergunto: louco é quem escreve ou quem lê? ou ainda: quem passa por ali e nada vê?
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Maio 19, 2009
Você pos um ponto.
Não disse vírgula.
Eu sem sinal.
Sem mais.
Vou atrás do meu porto. Final.
É aqui que eu desço.
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Maio 19, 2009
Ele não era um cara Vila Madalena
estava mais pro Bexiga
Mas freqüentava a Lapa
com uns amigos de Santana
Foi onde conheceu uma menina
Augusta dos Jardins
falando um sotaque meio Mooca
sobre sua infância no Paraíso.
Em uma rua de Perdizes
se encontraram novamente
e desde então viraram aqueles
seres
(apaixonados)
do Centro
que compram uma moto
e transitam livres
pelas avenidas
Paulistas.
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Maio 5, 2009
Neste feriado vou fazer um retiro.
Primeiro, vou retirar sua roupa.
Depois a minha.
Você busca o meu eu.
E eu o seu.
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Maio 5, 2009
pela
pele
pelo
pula
*
palco
plano
platéia
plena
*
palmas
plantam
pelve
pilha
*
ah vá pra puta que o pariu
que eu não sou o Arnaldo Antunes.
(só estou bêbada de Pinga
c/ meL)
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Abril 27, 2009
.
Tenho medo de me tornar uma velha.
Rabugenta.
Safada.
Cleptomaníaca.
Qualquer uma dessas,
que envergonham os parentes
no dia de visita do asilo.
Que desconcertam enfermeiras e médicos sem conserto.
Que arrepiam os gatos.
Que afugentam empregadas.
Quero me tornar uma velha de respeito.
Daquelas de tirar o chapéu dos senhores
de cair a dentadura das senhoras.
De sair bem na foto.
No filme. Na fala de um ente querido.
Dessas que os santos pedem por uma oração
Que as crianças nunca dizem não.
Que tem longas histórias pra contar
de rir e de chorar.
De cuidar das plantas, dos pássaros, e do bordado da vizinha.
Enfim, de ser uma boa e velha
Velha.
.
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Abril 13, 2009
.
O cenário, São Paulo.
No quarto que não é meu
você.
Fumando.
Tentando entender onde estamos
no meio de tanto cinza.
Tanta cinza.
Queimando
nossos planos
no criado mudo.
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Abril 6, 2009
- Tá vendo? Minha vida privada é pública!
- Não, a sua vida é uma privada pública.
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Abril 6, 2009
.
Aquele sentimento
Quando me é dado
(subitamente)
E me é tomado.
(sem prévio aviso)
É assassinado
friamente
sem cautela
nem resquício
ou pedaço
mal passado.
Flashback.
Feedback.
Déjà vue.
Quando você vier,
Eu já fue.
.
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