não sou muuuuuuuito fã de poesia. assim, prefiro a prosa.
mas hj me deparei com essa aqui, da Martha Medeiros (que não é só poeta, mas adquire outros ofícios da escrita, e muito bem!)
adorei. pq é simples. não fica essa punhetação de dicionário, sabe? então tá.
De cara lavada – 177
hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos
o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos
a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos
a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos
aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos
coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos
