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Tenho medo de me tornar uma velha.
Rabugenta.
Safada.
Cleptomaníaca.
Qualquer uma dessas,
que envergonham os parentes
no dia de visita do asilo.
Que desconcertam enfermeiras e médicos sem conserto.
Que arrepiam os gatos.
Que afugentam empregadas.
Quero me tornar uma velha de respeito.
Daquelas de tirar o chapéu dos senhores
de cair a dentadura das senhoras.
De sair bem na foto.
No filme. Na fala de um ente querido.
Dessas que os santos pedem por uma oração
Que as crianças nunca dizem não.
Que tem longas histórias pra contar
de rir e de chorar.
De cuidar das plantas, dos pássaros, e do bordado da vizinha.
Enfim, de ser uma boa e velha
Velha.
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