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na prática

setembro 10, 2013

gosto quando dispara frases
cheias de princípios,
pro meu semblante atento.

principio um rapto consentido
um auto rapto.
então fecho os olhos pra te ouvir melhor.
emudeço.
vem.

descarregue toda a sua teoria
sobre meu corpo burro,
que se move pêndulo
prum lado, pro outro,
pra dentro
de onde as palavras não fazem mais sentido.

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tutum

junho 6, 2013

tum tum tum peq

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colo

maio 29, 2013

quero te por no meu colo
não pra te fazer ninar.
embalar.

quero te por no meu colo
pra te despertar,
desestruturar.
pra me guiar
nesse território
temeroso,
novo.

quero te por no meu colo
pra num tranco
te trazer
pro meu peito
enquanto minha boca
sedenta encontra
seu seio.

quero te por no meu colo
pro meu ouvido
decifrar seu grito contido
enquanto eu te entro,
clandestina.

quero te por no meu colo
pra te entregar
pro meu desejo.
pra te encabular
com meus beijos
quando te tenho
mais que boca
mais que dedos.

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amarelo

maio 7, 2013

não doo.
sei que tem gente pedindo.
implorando.
que posso fazer a diferença.
que posso ganhar um sorriso,
um abraço, um obrigado.
não, obrigado.

não doo.

já falei.
aqui corre álcool, rancor.
borbulhas de felicidade,
estourei todas já.

não doo.

tem muito sódio,
muito tédio.
humor ácido,
ríspido.

não doo.

ok. eu sei.
é tudo mentira.
aqui tem vida.
alguns níveis de doçura.
é corrente do bem.
na maioria das vezes.
na maioria das veias.

mas não doo.
pânico.
medo vermelho escorrendo,
pavor solto jorrando
pra tudo que é canto.

quando vê uma agulha.

não doo.
não insista.
não tenho sangue frio.

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temos tempos ternos. ter-nos.

abril 26, 2013

eu nunca quero perder isso
que a gente não tem
cobrança sem fiança
nem propósito
um olhar torto
pele em desencontro.

eu nunca quero perder isso
que a gente não tem.

entre tantas coisas a perder
tempo, discussão, razão.

fico com o que temos,
paixão.

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abril 26, 2013

silêncio.
escuta.
silêncio.
preste atenção
no barulho
do silêncio.
é gritante.

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arde

março 20, 2013

A primeira vez que eu te vi chorando,
ofereci meu silêncio.
Lenço eu não tinha.
Nem frases prontas
na ponta da língua.

A primeira vez que te vi chorando,
desejei estar no cinema, no escuro, no preto
pra não ver seu rosto vermelho,
seu olho pequeno.
Oferecer meu ombro,
um afago
e pronto,
é só um filme, logo chega ao fim.

A primeira vez que te vi chorando,
tive vontade de te envolver, secar a dor.
Mas você queria deixar a lágrima cair,
sem drama, sem dó, em fio.

A primeira vez que te vi chorando,
prometi pra mim mesma
que da próxima vez,
serei eu
quem vai cortar a cebola.